Alzheimer: novo teste diagnóstico, de baixo custo e alta eficiência, pode ajudar na identificação da doença em estágios iniciais


Estudo inovador contou com a participação do pesquisador Marcio L. Balthazar, do CEPID BRAINN.

28 de maio de 2020  | por Redação WebContent

CEPID BRAINN - Pesquisa em Alzheimer - capa da revista ACS SensorsPesquisadores da UFSCar e da Unicamp publicaram, na revista científica ACS Sensors, os resultados de um estudo inovador sobre Alzheimer. O trabalho demonstra como um novo dispositivo para testes diagnósticos, criado com materiais descartáveis e baratos, mas de altíssima sensibilidade e eficiência, pode ajudar a detectar a doença mesmo em seus estágios iniciais.

O Alzheimer é a forma mais prevalente de demência em todo o mundo. A doença, ainda sem cura, afeta pelo menos 50 milhões de pessoas no planeta, especialmente os mais velhos. Os impactos sociais e pessoais do Alzheimer são imensos, tanto para o paciente quanto para sua família. A pessoa afetada apresenta problemas progressivos de memória, orientação, aprendizado, linguagem e comunicação, tornando-se dependente de ajuda constante. Apesar de não haver tratamentos, quanto mais cedo o diagnóstico for feito, melhores são os prognósticos de evolução da doença e maiores as chances de que o paciente retenha qualidade de vida por mais tempo.

ESTIMA-SE QUE, A CADA 03 SEGUNDOS, UMA PESSOA NO MUNDO DESENVOLVE ALGUM TIPO DE DEMÊNCIA.

Uma das maneiras de se diagnosticar o Alzheimer é por meio de testes de detecção de biomarcadores. Essas são moléculas cuja concentração em fluidos corporais é diferente entre pessoas com e sem Alzheimer, ou em diferentes estágios da doença. Realizar os testes de detecção é um procedimento muitas vezes caro e invasivo, que exige equipamentos nem sempre disponíveis em centros de saúde, e com grau de eficiência ainda longe do ideal.

O dr. Marcio Balthazar, membro do CEPID BRAINN, participou do desenvolvimento do novo dispositivo.

 

Buscando contornar estes problemas, os pesquisadores – entre eles o dr. Marcio Balthazar, do Departamento de Neurologia da Unicamp e membro do CEPID BRAINN – desenvolveram um novo dispositivo para detecção do biomarcador ADAM10 (A Disintegrin And Metalloprotease 10) para Alzheimer no plasma sanguíneo, utilizando imunosensores eletroquímicos. O dispositivo é barato e simples de ser construído, e mostrou taxas elevadas de eficiência quando comparado aos métodos diagnósticos tradicionais, sendo capaz de identificar concentrações de ADAM10 até 80 mil vezes inferiores às detectadas por testes diagnósticos padrão (ELISA).

“Embora a ADAM 10 não seja padrão ouro para diagnóstico de Alzheimer e ainda esteja em estudos, é uma enzima que participa diretamente da fisiopatologia da doença, agindo na clivagem da proteína percursora do peptídeo beta amiloide”, explica Balthazar.

Foram testadas pessoas cognitivamente saudáveis, pacientes com leves problemas cognitivos e pessoas com Alzheimer em diferentes estágios da doença. O novo teste diagnóstico foi capaz de demonstrar a presença de níveis claramente diferentes da proteína ADAM10 de acordo com o estágio do Alzheimer nos voluntários.

 

IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO NOS ESTÁGIOS INICIAIS

A proteína ADAM10 foi utilizada como biomarcador de Alzheimer no estudo.

Já se sabe, atualmente, que existem diversos fatores de risco para o Alzheimer, como hipertensão, diabetes, depressão e distúrbios alimentares. Sabe-se, também, que identificar e combater esses fatores de risco pode ajudar a retardar o surgimento dos sintomas da doença, assim como amenizá-los ao longo da vida.

Sendo assim, testes diagnósticos sensíveis o suficiente para detectar biomarcadores para o Alzheimer mesmo em concentrações pequenas, e em fluidos corporais fáceis de serem obtidos, como o sangue, podem se tornar um importante auxílio adicional na luta contra a doença, orientando pacientes e profissionais de saúde a buscar as melhores opções para garantir qualidade de vida por mais tempo.

 

 

PARA SABER MAIS:

Early Diagnosis of Alzheimer’s Disease in Blood Using a Disposable Electrochemical Microfluidic Platform

  • Tássia R. de Oliveira, Camila R. Erbereli, Patricia R. Manzine, Thamires N. C. Magalhães, Marcio L. F. Balthazar, Márcia R. Cominetti, and Ronaldo C. Faria
  • ACS Sensors 2020 5 (4), 1010-1019
  • DOI: 10.1021/acssensors.9b02463
  • https://pubs.acs.org/doi/10.1021/acssensors.9b02463