Pesquisadores do BRAINN lideram estudo sobre efeitos neurológicos do novo coronavírus


CEPID BRAINN - Sintomas neurologicos do novo coronavirus - 2020(1)
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Estudo acompanhará a saúde de pacientes de COVID-19 na Unicamp e analisará como a doença afeta, também, a saúde do cérebro e do sistema nervoso.

08 de junho de 2020  | por Redação WebContent

CEPID BRAINN - microscopia novo coronavirus - covid-19

Microscopia eletrônica do novo coronavírus, o SARS-CoV2.

Um dos aspectos mais preocupantes do novo coronavírus – chamado oficialmente de SARS-CoV2 -, causador da atual pandemia, é sua imprevisibilidade. Apesar de já ter infectado mais de sete milhões de pessoas em todo o mundo e causado a morte de mais de 400 mil (dados de 08/06/2020), ainda há inúmeras incertezas sobre os reais efeitos do vírus na saúde.

Inicialmente, sabia-se que ele estava relacionado a síndromes respiratórias agudas e a sintomas como febre e tosse; pouco tempo depois, surgiram diversos relatos de problemas intestinais também. Mais algumas semanas se passaram, e sintomas cardiovasculares começaram a ser reportados pelas equipes médicas. E assim, a cada semana, novos dados e informações vindas diretamente dos “campos de batalha” hospitalares acrescentaram detalhes à história da doença, relacionando a contaminação com o vírus a uma cornucópia de problemas de saúde – e que afetam, aparentemente, o corpo como um todo.m dos aspectos mais preocupantes do novo coronavírus – chamado oficialmente de SARS-CoV2 -, causador da atual pandemia, é sua imprevisibilidade. Apesar de já ter infectado mais de sete milhões de pessoas em todo o mundo e causado a morte de mais de 400 mil (dados de 08/06/2020), ainda há inúmeras incertezas sobre os reais efeitos do vírus na saúde.

 

QUAIS SÃO OS EFEITOS NEUROLÓGICOS DO CORONAVÍRUS?

Talvez uma das relações mais preocupantes seja a do SARS-CoV2 com a saúde neurológica. Um artigo médico publicado no início de abril mostrou que 36% dos infectados da província chinesa de Wuhan, primeiro epicentro da doença no mundo, apresentaram sintomas como vertigem, cefaleia, crises epilépticas, problemas de equilíbrio, dor neuropática e baixa sensibilidade olfativa e do paladar – ou seja, o vírus causava efeitos no sistema nervoso central e no periférico. Estudos posteriores realizados em várias regiões do mundo confirmaram esta observação e incluíram novos sintomas (como encefalite necrotizante hemorrágica, meningoencefalite e Síndrome de Guillain-Barré) à lista.

CEPID BRAINN - SARS-CoV2 no cerebro

Uma das hipóteses de correlação entre sintomas neurológicos e o novo coronavírus é que os tecidos neurais também apresentam o receptor ACE2, uma das “portas de entrada” do vírus nas células.

Dada a gravidade da situação da pandemia e as várias incertezas ainda presentes sobre o vírus, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), contando com o trabalho de diversos membros do CEPID BRAINN, se uniram em um projeto de caracterização neurológica de pacientes diagnosticados com a COVID-19. A meta é obter novos insights e conclusões sobre a correlação entre o SARS-CoV2 e a saúde neurológica, a partir de uma inovadora base de dados médicos coletados de pacientes com COVID-19 no Hospital das Clínicas da Unicamp.

Analisar os dados de saúde desses pacientes permitirá identificar fatores de risco e poderá ajudar na prevenção de complicações neurológicas – tanto as imediatas quanto as tardias – em pessoas que adoeceram por causa do SARS-CoV2.

 

PARA CHEGAR A RESPOSTAS, NOVO APLICATIVO AJUDARÁ A GUARDAR E ORGANIZAR DADOS DE SAÚDE

Dra. Clarissa Yasuda - pesquisadora associada do CEPID BRAINN

Dra. Clarissa Yasuda, pesquisadora associada do CEPID BRAINN.

O projeto envolverá diretamente mais de 30 pesquisadores da Unicamp. Serão coletados, organizados e analisados dados de pacientes jovens e adultos com graus moderados, graves e críticos de COVID-19 e que também apresentaram sintomas neurológicos. Serão estudados potenciais fatores de risco para esses sintomas e fatores que possam prever o surgimento deles durante o tratamento da COVID ou durante a evolução da doença.

Para ajudar na coleta e na organização dos dados, os pesquisadores estão desenvolvendo um novo aplicativo, que facilitará o acompanhamento da saúde dos pacientes e darão mais liberdade aos pesquisadores, evitando o uso de formulários de papel. No app, será possível que médicos e pesquisadores adicionem informações pertinentes sobre a evolução clínica de cada paciente, de maneira prática e ágil, criando um poderoso banco de informações sobre os sintomas neurológicos da COVID-19 para posteriores análises.

“Por questões de segurança e sigilo os dados são anonimizados e ficam armazenados em um servidor da UNICAMP”, explicou a dra. Clarissa Yasuda, do Laboratório de Neuroimagem da Unicamp, pesquisadora associada do CEPID BRAINN e uma das autoras do estudo.

Uma versão prévia do aplicativo pode ser acessada no link a seguir (os dados apresentados nesta versão do app são meros exemplos):

CEPID BRAINN - Aplicativo Acompanhamento Neurologico COVID-19

Clique aqui para acessar a demonstração do aplicativo.

 

Acesse aqui a prévia do App. Use “demo” para usuário e senha.

 

“Todos os residentes da neurologia (e alguns fellows de subespecialidades da neurologia) ajudaram a escolher o conteúdo do app, que foi desenvolvido pelo colaborador Takeshi Waku, juntamente com o aluno Thierry Kaue (do terceiro ano da Medicina UNICAMP e bolsista FAPESP de Iniciação Científica)”, disse a dra. Yasuda.

 

ESTUDO CRIARÁ UM PANORAMA ABRANGENTE DA SAÚDE NEUROLÓGICA DE CADA PACIENTE

Os pesquisadores pretendem realizar análises completas da saúde neurológica dos pacientes participantes do estudo, realizando desde exames mais tradicionais, como ressonâncias magnéticas e avaliações eletrofisiológicas, até estudos mais complexos, como análises de volume de substância cinzenta. A meta é ter um rico panorama de informações que possa ajudar a caracterizar, de maneira mais clara, os reais efeitos do SARS-CoV2 na saúde humana.

CEPID BRAINN - MRI do cerebro“Acreditamos que os resultados do estudo observacional mostrarão características peculiares de doenças inflamatórias e cerebrovasculares que podem acometer o sistema nervoso em diferentes graus”, escrevem os pesquisadores. “A identificação dos possíveis acometimentos neurológicos pode ajudar a compreender melhor o fenômeno de neurotropismo do vírus e potencialmente permitir o desenvolvimento de métodos para prevenir e tratar tais eventos e as sequelas associadas”.

ALGUMAS PERGUNTAS QUE O ESTUDO AJUDARÁ A RESPONDER

De acordo com Yasuda, a COVID-19 ainda é uma doença muito “nova” e pouco se sabe até o momento sobre como ela atua no sistema nervoso. O estudo atual ajudará a elucidar parte desse mistério.

Segundo a pesquisadora, algumas das perguntas que norteiam os trabalhos dos pesquisadores são:

  • Quais sujeitos são mais suscetíveis a eventos neurológicos decorrentes da COVID-19?
  • Quais eventos neurológicos acometem diferentes faixas etárias?
  • Qual o impacto da infecção por coronavírus em pacientes de outras doenças neurológicas, como Doença de Parkinson, esclerose múltipla ou epilepsia?

O estudo contará com a participação de pesquisadores da Faculdade de Ciências Médicas e do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Unicamp, e será financiado pelo CEPID BRAINN. Entre os envolvidos estão os seguintes membros BRAINN: Aluisio Pinheiro, Hildete Pinheiro, Marcondes França Junior, Li Li Min, Alfredo Damasceno, Cristiane de Souza Rocha, Ana Carolina Coan, Iscia Lopes Cendes, Marcio Balthazar, Laura Silveira Moriyama, Maria Augusta Santos Montenegro, Fernando Cendes e Clarissa Yasuda.

 

 

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