Estudo: maioria das pessoas acredita em ‘mitos’ da Neurociência


Pesquisa revela que mesmo educadores e pessoas com histórico de estudos sobre o cérebro ainda caem em ‘pegadinhas’. Teste o seu conhecimento em nosso quiz interativo!

01 de setembro de 2017     Por Redação WebContent, especial para CEPID BRAINN

> Cada pessoa aprende melhor quando recebe informações em seu estilo de aprendizado preferido.

> Escutar música clássica aumenta as habilidades de raciocínio de crianças.

> Nós usamos apenas 10% dos nossos cérebros.

 

Você concorda com essas afirmações? Elas são verdadeiras ou são apenas mitos da neurociência?

Em um novo estudo, realizado colaborativamente por cientistas de diversas universidades norte-americanas, pesquisadores avaliaram o conhecimento de diversos grupos de voluntários acerca de 32 afirmações como as do quadro acima, todas relacionadas a neurociências.

O interessante era a heterogeneidade do grupo:

  • uma porção dos participantes era composta por leigos,
  • outra parte era formada por educadores
  • e, também, havia pessoas com algum tipo de formação em neurociências.

Será que elas foram capazes de discernir o que é fato e o que é mito sobre o funcionamento do nosso cérebro?

 

MENTE & CÉREBRO NA CABEÇA – E NOS JORNAIS              

O estudo vem em boa hora. Apesar de assuntos relacionados ao cérebro – como consciência, inteligência e memória – sempre terem gerado forte interesse no público, ultimamente notícias vinculadas a estas temáticas abundam na mídia. Temas como a expansão das inteligências artificiais abrem discussões acerca das habilidades cerebrais e de como – ou quando – máquinas poderão ter capacidade de ‘pensar’ como seres humanos. Com isso, a neurociência e seus desdobramentos para a sociedade ganham cada vez maior notoriedade.

inteligencia artificial no tratamento de doencas

Neste cenário, em que o cérebro e nossa capacidade de raciocínio são protagonistas de manchetes nos jornais, ter conhecimentos corretos sobre o funcionamento da mente é essencial para entender o mundo e compreender as implicações das novas descobertas da Ciência.

Mas será que, no geral, as pessoas estão bem informadas quando o assunto é o nosso cérebro?

 

A MAIORIA AINDA CRÊ EM ‘MITOS’ DO CÉREBRO

Os resultados do estudo, publicados na última edição do periódico científico Frontiers in Psychology, mostraram que a crença em mitos sobre neurociência é extremamente prevalente e que, apesar de uma formação em neurociência aumentar a porcentagem de acertos, ela ainda está longe de eliminar os erros.

 

Enquanto o público leigo acreditou, em média, em 68% dos mitos propostos pelo estudo, os educadores acreditaram em 56% e os treinados em neurociência em 46%.

 

“Nós ficamos surpresos com o nível de crença em mitos por parte das pessoas com experiência em neurociência”, disse Lauren McGrath, professora assistente da Universidade de Denver e coordenadora do estudo. Mas isso não quer dizer, todavia, que falta conhecimento sobre como a mente funciona para esses especialistas. “Os mitos em que eles acreditaram estavam relacionados a aprendizado e ao comportamento, e não ao cérebro. Portanto, o treinamento em neurociência não necessariamente se traduz em [maior conhecimento em] tópicos como psicologia ou educação”, explica a cientista.

mitos sobre o cerebro

Verificar se educadores acreditam em mitos sobre neurociência é particularmente importante, como ressalta o estudo. Profissionais responsáveis por ensino de conteúdo, mesmo tendo a melhor das intenções, podem utilizar estratégias ineficientes, baseadas em um conhecimento ‘científico’ errôneo, para tentar transmitir informações e educar melhor os jovens. Isso, muitas vezes, pode prejudicar os estudantes.

“Encontrei mitos sobre neurociência sendo ensinados em treinamentos para professores e vi muitos desses profissionais usando práticas relacionadas a eles em suas salas de aula”, conta Kelly Macdonald, estudante de graduação na Universidade de Houston envolvida no estudo (e que antes trabalhava como professora).

Exemplo disso citado pela pesquisa é o mito: “Um sinal comum de dislexia é ver as letras ao contrário”. Entre os entrevistados, 76% do público geral, 59% dos educadores e 50% de quem tinha formação em neurociência disseram acreditar nessa afirmação, que na verdade é falsa.

neurociencias na sala de aula

Se professores acreditam nesse mito, então eles talvez percam uma oportunidade para buscar ajuda adequada para uma criança que tenha dislexia. De forma similar, professores que aplicam técnicas baseadas em mitos têm tudo para obter resultados melhores se as trocarem por métodos baseados em evidências científicas.

A pergunta que surge então é: o que podemos fazer para evitar que esses mitos continuem se propagando e, ao contrário, encorajar práticas educacionais baseadas em Ciência?

“Os próximos passos são desenvolver novos treinamentos e disseminá-los”, diz McGrath. “Estamos considerando desenvolver um módulo de treinamento online para educadores para expor os mitos sobre neurociência mais prevalentes. O fato de que as pessoas tendem a acreditar em diversos mitos significa que esses módulos de treinamento não podem ensinar apenas um mito; eles precisam tratar de vários mitos simultaneamente”.

 

QUE TAL TESTAR SEUS CONHECIMENTOS SOBRE NEUROCIÊNCIAS?

O BRAINN adaptou algumas das perguntas mais interessantes do estudo em um quiz interativo. Veja as afirmativas abaixo e responda se elas são cientificamente acuradas ou se são meros mitos. Será que você acerta as 16 questões?

 

QUIZ BRAINN MITOS DA NEUROCIÊNCIAS

Quiz 'Mitos da Neurociência'!

Todas as perguntas foram baseadas nas questões do estudo científico. Elas podem se referir a fatos cientificamente comprovados ou a 'inverdades' sobre o funcionamento do cérebro. Você é capaz de diferenciar o que é verdade e o que é mito?

São 16 perguntas para você responder. Está preparado? Então clique no botão 'Próximo' logo abaixo!

1) Indivíduos aprendem melhor quando recebem informação em seu estilo de aprendizado preferido
2) Escutar música clássica aumenta as habilidades de raciocínio de crianças.
3) Algumas pessoas têm o lado esquerdo do cérebro mais predominante e outras o lado direito, e isso ajuda a explicar diferenças de aprendizado.
4) Nós usamos apenas 10% do nosso cérebro.
5) Meninos têm, em média, cérebros maiores do que meninas.
6) Quando uma região do cérebro é danificada, outras regiões podem assumir sua função.
7) O desenvolvimento normal do cérebro envolve o nascimento e a morte de neurônios.
8) O aprendizado ocorre devido à adição de novos neurônios ao cérebro.
9) Exercícios físicos podem melhorar as funções cerebrais.
10) Novas conexões entre neurônios podem ser formadas mesmo durante a velhice.
11) O cérebro de meninos e meninas se desenvolvem em ritmos diferentes.
12) O desenvolvimento do cérebro termina na puberdade.
13) Crianças precisam ser expostas a um ambiente de aprendizado rico até os 3 anos de idade, ou suas capacidades de aprendizado serão perdidas.
14) Há períodos específicos na infância após os quais certas coisas não podem mais ser aprendidas.
15) Ritmos circadianos mudam durante a adolescência, o que pode fazer com que estudantes se sintam cansados nas primeiras aulas pela manhã.
16) Crianças têm estilos de aprendizado que são dominados por sentidos particulares (visão, audição, etc.).

Muito bem, 16 questões respondidas! Vamos ver quantas estão corretas?



 

 

Curiosidades

PARA SABER MAIS

  • Kelly Macdonald, Laura Germine, Alida Anderson, Joanna Christodoulou, Lauren M. McGrath. Dispelling the Myth: Training in Education or Neuroscience Decreases but Does Not Eliminate Beliefs in Neuromyths. Psychol., 10 August 2017.
  • Acessar artigo científico online

 

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