Quarta edição do Congresso do BRAINN ocorre em março. Saiba como enviar seu trabalho.
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Pesquisadores do BRAINN publicam artigo na PLOS ONE
Ano começa com publicação de trabalho relacionado à epilepsia no respeitado periódico científico PLOS ONE. Veja detalhes na matéria. Read more…
Pesquisadora do BRAINN Iscia Lopes-Cendes recebe prêmio de Neurociências
Vencedores da premiação, organizada pelo Instituto Nanocell, foram escolhidos por colegas cientistas e pesquisadores.
Resumos do 3º Brainn Congress são publicados no JECN
Clique para ler todos os resumos dos trabalhos apresentados no terceiro Congresso Brainn, que aconteceu em abril deste ano.
2 lançamentos de livros de pesquisadores do BRAINN
Obras Semiologia Neurológica e Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento serão lançadas este mês em evento científico.
Um ecossistema federado para compartilhamento de dados genômicos
Discussão sobre compartilhamento de dados genômicos publicada na revista Science menciona a iniciativa brasileira BIPMed.
Primeiro banco público de dados genômicos da América Latina é lançado
Conheça em detalhes a iniciativa BIPMed, que conta com a participação de pesquisadores do CEPID BRAINN.
Primeiro banco público de dados genômico do Brasil será lançado na FAPESP
Samuel Antenor | Agência FAPESP – Com o objetivo de permitir a implantação no Brasil da chamada medicina de precisão, será lançado em 13 de novembro, na sede da FAPESP, em São Paulo, o Brazilian Initiative on Precision Medicine (BIPMed), banco público de dados genômico inédito no país, com informações reunidas ao longo de vários anos de estudos realizados em diferentes instituições e grupos de pesquisa.
Primeiro banco on-line a agrupar grande quantidade de informações genômicas na América Latina, o BIPMed é resultado do trabalho de pesquisa envolvendo cinco Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiados pela FAPESP: o Centro de Pesquisa em Engenharia e Ciências Computacionais (CCES, na sigla em inglês), o Centro de Pesquisa em Terapia Celular (CTC), o Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC, na sigla em inglês) e o Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID, na sigla em inglês), liderados pelo Instituto de Pesquisa sobre Neurociências e Neurotecnologia (BRAINN, na sigla em inglês).
Inicialmente, o BIPMed estará baseado em uma plataforma eletrônica, construída segundo diretrizes e princípios da Aliança Global para Genômica e Saúde (GA4GH, na sigla em inglês), iniciativa internacional que reúne mais de 300 instituições de pesquisa da área da saúde, formada para acelerar o potencial da medicina genômica por meio da troca de informações entre pesquisadores, em benefício da saúde humana.
Seu objetivo principal é a criação de um quadro comum de abordagens que permita o compartilhamento responsável, voluntário e seguro de dados genômicos e clínicos.
“A pesquisa na área de genômica humana tem sido feita há vários anos no Brasil e por vários grupos, mas esses dados nunca foram tornados públicos em um banco organizado, como tem sido feito por décadas nos Estados Unidos e na Europa”, afirma Iscia Lopes-Cendes, pesquisadora do BRAINN responsável pela formatação dos dados.
PERFIL GENÉTICO ACESSÍVEL
De acordo com a pesquisadora, a acessibilidade a esse tipo de informação deverá ajudar no avanço da pesquisa nessa área no Brasil, pois muitos pesquisadores passarão a usar dados que reflitam a diversidade genética da população brasileira, em vez de dados de referência de outros grupos populacionais, de distintas regiões do mundo, atualmente disponíveis. No futuro, espera-se que o banco ofereça também dados fenotípicos da população brasileira.
O BIPMed será a primeira plataforma desse tipo na América Latina, mas poderá ser usado on-line por médicos e cientistas de todo o mundo, para compartilhar e obter informações sobre vários aspectos da medicina genômica e da saúde humana, bem como para apoiar a divulgação e a formação.
“A ideia é que o BIPMed possa servir a qualquer pesquisador na América Latina para depositar dados genômicos, sejam de referência (indivíduos normais, representativos da população) ou de grupos de pacientes, para que o banco aumente progressivamente a quantidade dos dados oferecidos”, explica Lopes-Cendes.
Conceitualmente, a medicina de precisão considera o conhecimento científico-tecnológico como base para a medicina do século 21, a partir da investigação translacional, da medicina genômica e da medicina personalizada. Desse modo, a medicina de precisão propõe um novo nível de integração de dados para a melhoria dos cuidados com a saúde humana.
Participarão do lançamento do banco genômico diversos membros do BIPMed, como Iscia Lopes-Cendes, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Claudia Bauzer Medeiros e Guilherme Telles, ambos do Instituto de Computação da Unicamp, Wilson Araújo da Silva Jr, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP), e Benilton de Sá Carvalho, do Instituto de Matemática, Estatística e Computação da Unicamp.
Sobre a importância do banco de dados genômico no contexto dos CEPIDs, falarão Fernando Cendes, do BRAINN, e Marco Antonio Zago, coordenador do CTC e reitor da USP, que falará também sobre a importância do BIPMed para o avanço das pesquisas, ao lado de Glaucia Maria Pastore, pró-reitora de pesquisa da Unicamp, Carlos Gilberto Carlotti Jr, diretor da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, e Ivan Felizardo Contrera Toro, diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.
A importância do banco de dados no contexto internacional será abordada por Peter Goodhand e Thomas Hudson, respectivamente CEO e diretor da GA4GH, em palestra gravada especialmente para o lançamento do BIPMed.
A programação de lançamento do BIPMed pode ser acessada em www.fapesp.br/9800.
Para participar, é necessário inscrever-se no endereço www.fapesp.br/eventos/bipmed/interest.
Fonte: Agência FAPESP
Zebrafish, um peixe com vocação para pesquisas genéticas
Um pequeno peixe listrado, que antigamente ficava nos aquários dentro de casa decorando ambientes, está cada vez mais chamando a atenção da comunidade científica mundial. O zebrafish ou peixe paulistinha – como é popularmente conhecido no Brasil – hoje é usado cada vez mais em pesquisas, principalmente na área genética.
“O custo de manutenção do zebrafish em laboratório é baixo e em poucos meses consigo ter uma geração inteira de animais. A fertilização dele é externa e posso acompanhar desde a fase de embrião até a fase adulta. Além disso, o genoma do zebrafish é 70% parecido com o do ser humano. Tudo isso facilita a manipulação genética com vistas a criar modelos para estudos de doenças humanas”, revela a geneticista Cláudia Vianna Maurer Morelli, pesquisadora associada do BRAINN e responsável pelo Laboratório Zebrafish da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp.
A matéria completa, publicada no boletim da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP, pode ser lida no link abaixo.
Baixar PDF com a matériaA RTV-UNICAMP realizou uma reportagem com a equipe responsável pelo laboratório de zebrafish. O vídeo pode ser visto no link a seguir.
Assista ao vídeo da RTV sobre as pesquisas com zebrafishOs avanços da bioinformática e da genética para o diagnóstico e tratamento de doenças
No filme Gattaca, de 1997, os seres humanos são escolhidos geneticamente em laboratórios. Vincent Freeman nasceu do amor de seus pais, sem preparos genéticos. Desde pequeno, ele tem o desejo de ser astronauta. Entretanto, seu código genético o predisposições a doenças que não lhe permitem alcançar esse sonho. Quase 20 anos depois, a genética aliada à bioinformática, consegue prever até 70 doenças inscritas no código genético (genoma) de qualquer pessoas.
De acordo com a médica geneticista do Departamento de Genética Médica da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, Íscia Lopes-Cendes, a genética avançou para o nível molecular e está cada vez mais dependente da bioinformática. “Dominar as análises, os algoritmos e outros processos oferecidos pela bioinformática é, hoje, essencial para qualquer pesquisador na área genética”, diz.
A bioinformática lida com uma enorme quantidade de dados e integra ferramentas computacionais analíticas, resultados obtidos por procedimentos laboratoriais e por equipamentos de sequenciamento genético de última geração, além de uma rede de cientistas de todos os cantos do planeta interligados pela internet. Os dados de sequenciamento do genoma completo de um indivíduo, por exemplo, ocupam o espaço de, aproximadamente, 20 milhões de músicas armazenadas em formato MP3.
A FCM participa, por meio de Benilton Carvalho, pesquisador e professor visitante do Departamento de Genética Médica, de uma rede internacional de desenvolvimento de metodologias e ferramentas para a análise de dados genômicos, o Bioconductor. Ele e um grupo de 26 pesquisadores da Europa e Estados Unidos publicaram na revista Nature Methods o artigo “Orquestrando a análise de genômica de alto rendimento com Biocondutor”.
“O Bioconductor é uma fundação sem fins lucrativos que estabelece programas e ações conjuntas entre instituições interessadas em bioinformática, aplicando e desenvolvendo software de código aberto, de alta reprodutibilidade e transparência, depositados em um repositório público. Estes módulos, que hoje são 1.024, podem ser baixados a custo zero. Esta estratégia permite a reprodução exata de uma pesquisa realizada no passado mesmo depois de anos da publicação original”, diz Benilton.
Essa tecnologia é aplicada no Brasil para o melhoramento genético do milho e do gado de corte, de forma a permitir e mesmo aumentar a produção em ambientes diversos, como áreas de pouca chuva ou temperaturas elevadas. Pesquisadores da área médica utilizam a bioinformática e as ferramentas oferecidas pelo Bioconductor no desenvolvimento de tratamentos para várias doenças.
“Algumas mutações genéticas fazem com que determinados pacientes não respondam bem a certos medicamentos. Um exemplo clássico é a enxaqueca. A informação genética do paciente pode ser usada para selecionar a terapia com maior potencial de sucesso no tratamento. A medicina genômica também permitirá a escolha de terapias que minimizem efeitos colaterais, como de quimioterapias”, explica.
Todas as informações básicas para o desenvolvimento do ser humano estão no DNA, que compõe o genoma. O exoma é uma pequena porção do genoma onde se encontram a maioria das mutações genéticas causadoras de doenças no homem. A partir do estudo do exoma, é possível estabelecer a associação entre marcadores moleculares para 60 a 70 doenças.
Nos Estados Unidos, existem instituições que fazem uso constante dessa tecnologia, mas o custo ainda é alto para os padrões brasileiros. O estudo acadêmico do exoma – equivalente a 2% do genoma humano – pode custar até R$ 5 mil reais para preparação de amostra, sem os custos de análise.
“Para que seja custo-efetivo, o sequenciamento deve contemplar múltiplas amostras simultaneamente, chegando a várias dezenas de indivíduos. À medida que outras instituições começarem a utilizar e distribuir a tecnologia, o custo deve cair”, acredita Benilton.
A Unicamp utiliza sequenciadores HiSeq-2500 para estudos de genomas, exomas e transcriptomas completos e equipamento MiSeq para estudos com pequenas listas de genes. O processo simplificado começa com a coleta do material biológico (sangue, tecido, cabelo ou unha, por exemplo). Em seguida, as moléculas a serem sequenciadas (DNA/RNA) são extraídas por processos bioquímicos. Este material é colocado numa placa, câmara de fluxo, e inserida no equipamento para a realização do sequenciamento, que pode durar até 12 dias.
No processo de sequenciamento, as bases nitrogenadas adenina, citosina, guanina e timina (ACTG) são identificadas por meio da análise de bilhões de imagens de altíssima definição e concatenadas em fragmentos de aproximadamente 100 bases. Uma equipe de analistas averigua a qualidade destes fragmentos (que podem chegar a centenas de milhões) e, então, determinam suas posições de acordo com um genoma de referência.
Esta fase, juntamente com as análises posteriores que envolvem a identificação de mutação ou quantificação da abundância de genes, pode requerer entre sete e dez dias para estudos relativamente pequenos. É também nesta fase analítica em que utilizam-se as ferramentas distribuídas pelo projeto Bioconductor, que empregam técnicas de computação paralela, na qual centenas de processadores podem ser utilizados simultaneamente para a determinação dos resultados de interesse.
“É como montar um quebra-cabeça com 90 milhões de peças e, em alguns casos, não temos sequer o modelo da figura a ser montada. Locais nos quais resultados inesperados foram observados de modo recorrente são candidatos a alterações estruturais, que incluem mutações genéticas. O último passo é associar tais regiões à doença estudada”, explica Benilton.
Íscia Lopes-Cendes diz que ao se fazer o sequenciamento do DNA, obtém-se informações para o diagnóstico de doenças que não estão relacionadas só com o motivo da consulta do paciente. “Ao sequenciar o gene que está causando epilepsia, por exemplo, posso ter informações de genes de predisposição para outras doenças e agir precocemente e preventivamente, nos casos possíveis de intervenção médica”, diz.
A médica geneticista Antonia Paula Marques de Faria e chefe do Ambulatório de Aconselhamento Genômico do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, disse que é a favor de aplicar essa tecnologia, mas com responsabilidade. “Isso não é um horóscopo genético, mas sim um instrumento poderoso que implica em questões éticas. A orientação é fundamental. Se não for bem feita, pode ser um estigma para o resto da vida do paciente e da família também”, diz a professora do Departamento de Genética Médica da FCM.
Fonte: FCM Unicamp











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