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	<title>neuroplasticidade | CEPID BRAINN</title>
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	<description>CEPID FAPESP especializado em neurociências</description>
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	<title>neuroplasticidade | CEPID BRAINN</title>
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		<title>O corpo como instrumento: terapia musical na neuroplasticidade do cérebro e na reabilitação de pacientes com AVC</title>
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		<dc:creator><![CDATA[BRAINN]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Dec 2024 12:40:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[BRAINN na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Alexandre Brandão]]></category>
		<category><![CDATA[AVC]]></category>
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		<category><![CDATA[Jornal da UNICAMP]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Reportagem do Jornal da Unicamp explica tecnologia inovadora e seus usos em reabilitação de pacientes. Confira entrevista com a pesquisadora do BRAINN, dra. Gabriela Castellano. Reportagem do Jornal da UNICAMP Autoria Paula Penedo Pontes Edição de Imagem Alex Calixto Paulo Cavalheri Fotografia Antonio Scarpinetti &#160; Em um pequeno estúdio da Unicamp, uma mulher dança delicadamente. Seus braços e pernas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Reportagem do Jornal da Unicamp explica tecnologia inovadora e seus usos em reabilitação de pacientes. Confira entrevista com a pesquisadora do BRAINN, dra. Gabriela Castellano.</em></p>
<p><span id="more-16317"></span></p>
<p><a href="https://jornal.unicamp.br/edicao/718/o-corpo-como-instrumento/" target="_blank" rel="noopener"><em>Reportagem do <span style="text-decoration: underline;">Jornal da UNICAMP</span></em></a></p>
<div class="single-post__meta__author d-inline-block me-4"><em><span class="single-post__meta__author__label me-1">Autoria </span><a class="single-post__meta__author__link" href="https://jornal.unicamp.br/autoria/paula-penedo-pontes/"><span class="single-post__meta__author__name me-2">Paula Penedo Pontes</span></a></em></div>
<div class="single-post__meta__author d-inline-block me-4"><em><span class="single-post__meta__author__label me-1">Edição de Imagem </span><a class="single-post__meta__author__link" href="mailto:alexcmat@unicamp.br"><span class="single-post__meta__author__name me-2">Alex Calixto</span> </a><a class="single-post__meta__author__link" href="mailto:pjc@unicamp.br"><span class="single-post__meta__author__name me-2">Paulo Cavalheri</span></a></em></div>
<div class="single-post__meta__author d-inline-block me-4"><em><span class="single-post__meta__author__label me-1">Fotografia </span><a class="single-post__meta__author__link" href="mailto:ajscarpa@unicamp.br"><span class="single-post__meta__author__name me-2">Antonio Scarpinetti</span></a></em></div>
<p>&nbsp;</p>
<p class="has-drop-cap">Em um pequeno estúdio da Unicamp, uma mulher dança delicadamente. Seus braços e pernas fluem com elegância, criando uma harmonia com a música e imagens coloridas que ganham vida nas paredes. A cada gesto da bailarina, o ambiente se transforma: quando eleva os braços e desloca os ombros, as imagens explodem em uma vibrante fusão de cores. Quando contém seus movimentos, as figuras se acalmam, retornando a um tranquilo tom de amarelo claro.</p>
<p>Nessa <em>performance</em>, registrada no Núcleo Interdisciplinar de Comunicação Sonora (Nics) da Universidade, a bailarina demonstra o funcionamento do BehCreative, uma caverna digital desenvolvida pela musicóloga e pesquisadora de pós-doutorado Elena Partesotti. A tecnologia, cujo nome deriva da expressão em inglês <em>behave creatively</em> – comporte-se de forma criativa –, consiste em um instrumento musical digital estendido (EDMI, na sigla em inglês) de realidade virtual e aumentada, em que imagens e sons podem ser manipulados pelos usuários com o apoio de recursos interativos.</p>
<p>Usando um computador, um rastreador de gestos, projetores de imagem e caixas de som, o BehCreative gera respostas visuais e auditivas baseadas nos movimentos realizados pelo usuário, movimentos esses associados a diferentes sons e padrões de cor. “A ideia é que seu corpo vire um instrumento musical. Não há um objeto físico. Você com seus movimentos produz sons e imagens, algo conectado ao paradigma da cognição incorporada”, explica Partesotti, referindo-se à teoria filosófica segundo a qual as experiências cognitivas humanas são influenciadas pela interação do corpo com o ambiente.</p>
<div id="attachment_16320" style="width: 410px" class="wp-caption alignright"><img aria-describedby="caption-attachment-16320" loading="lazy" class="wp-image-16320" src="https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2024/12/20241031_2_Gabriela-Castellano_Projeto-BehCreative_Nics_scarpa_AJS_3976.jpg" alt="20241031_2_Gabriela-Castellano_Projeto-BehCreative_Nics_scarpa_AJS_3976" width="400" height="546" srcset="https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2024/12/20241031_2_Gabriela-Castellano_Projeto-BehCreative_Nics_scarpa_AJS_3976.jpg 785w, https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2024/12/20241031_2_Gabriela-Castellano_Projeto-BehCreative_Nics_scarpa_AJS_3976-220x300.jpg 220w, https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2024/12/20241031_2_Gabriela-Castellano_Projeto-BehCreative_Nics_scarpa_AJS_3976-750x1024.jpg 750w, https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2024/12/20241031_2_Gabriela-Castellano_Projeto-BehCreative_Nics_scarpa_AJS_3976-768x1049.jpg 768w, https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2024/12/20241031_2_Gabriela-Castellano_Projeto-BehCreative_Nics_scarpa_AJS_3976-146x200.jpg 146w, https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2024/12/20241031_2_Gabriela-Castellano_Projeto-BehCreative_Nics_scarpa_AJS_3976-60x82.jpg 60w, https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2024/12/20241031_2_Gabriela-Castellano_Projeto-BehCreative_Nics_scarpa_AJS_3976-73x100.jpg 73w, https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2024/12/20241031_2_Gabriela-Castellano_Projeto-BehCreative_Nics_scarpa_AJS_3976-114x156.jpg 114w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /><p id="caption-attachment-16320" class="wp-caption-text">A prof. Gabriela Castellano investiga como o cérebro se reorganiza. Fotografia: Antonio Scarpinetti, Jornal da UNICAMP</p></div>
<p>Criado para explorar como os sons e os movimentos podem se combinar em ambientes imersivos, a proposta inicial desse EDMI é estimular processos artísticos e criativos no âmbito da musicoterapia. Isso porque estudos já demonstraram que intervenções musicais oferecem importantes instrumentos para a promoção do bem-estar físico e psicológico de pacientes. Essas ferramentas estimulam a produção de hormônios como ocitocina, dopamina, norepinefrina e adrenalina, conectados a emoções como amor e prazer, e de melatonina, que regula processos biológicos como o sono e o despertar e, por isso, conseguem reduzir a ansiedade e a depressão, além de aliviar a dor e melhorar a qualidade de vida de pessoas com déficits cognitivos como a doença de Alzheimer.</p>
<p><strong>No entanto estudos mais recentes também vêm apontando efeitos positivos da terapia musical na neuroplasticidade do cérebro – a capacidade do sistema nervoso central de se adaptar a novos estímulos ambientais – e na reabilitação de pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral (AVC). Por esse motivo, um dos objetivos da musicoterapeuta é avaliar a capacidade do BehCreative de reabilitar a função motora e a capacidade cognitiva desses pacientes, um projeto levado a cabo sob a orientação da docente <a href="https://www.brainn.org.br/10-anos-de-brainn-congress-saiba-como-foi-a-edicao-de-2024/">Gabriela Castellano</a>, do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW).</strong></p>
<p>De acordo com a docente, o instrumento musical desenvolvido ainda está na fase de protótipo, mas os pesquisadores pretendem que, um dia, ele possa ser utilizado pelos pacientes dentro de suas próprias casas, como uma forma complementar de tratamento fisioterapêutico.</p>
<blockquote><p>“A gente sabe que doenças debilitantes estão se tornando mais comuns por conta do estilo de vida sedentário e também do envelhecimento da população. Então há cada vez mais pessoas com sequelas neurológicas devido a diversas condições de saúde. E hoje em dia as clínicas e fisioterapeutas já não dão conta da demanda crescente de pessoas com essas sequelas”, observou a professora.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<h2><strong>Reabilitação cognitiva</strong></h2>
<p>Castellano é uma das pesquisadoras principais do Instituto Brasileiro de Neurociências e Neurotecnologia (<strong>Brainn</strong>, na sigla em inglês) da Unicamp, que investiga os mecanismos causadores da epilepsia e de AVCs e os danos gerados por essas ocorrências. Antes de trabalhar com Partesotti, a professora já desenvolvia aplicativos de realidade estendida para terapia de pacientes com AVC, em parceria com o pesquisador de pós-doutorado <a href="https://www.brainn.org.br/realidade-virtual-no-tratamento-do-avc-alexandre-brandao-no-campuscast/"><strong>Alexandre Brandão</strong></a>. “A gente tem avaliado quais mudanças cerebrais decorrem do uso desses aplicativos, com a ideia de entender como o cérebro se reorganiza depois disso. Para tanto, usamos técnicas de neuroimagem, como a ressonância magnética funcional e a eletroencefalografia”, explica.</p>
<p>No entanto tais dispositivos não empregam recursos musicais e, por serem voltados à reabilitação motora, demandam movimentos específicos e pré-determinados do paciente, o que limita a criatividade do usuário e, consequentemente, uma possível resposta cognitiva. Por esse motivo, as pesquisadoras desejam agora empregar as mesmas técnicas de neuroimagem na avaliação de usuários do BehCreative, verificando se, por se tratar de uma atividade mais criativa, isso levará a uma melhora na capacidade cognitiva dessas pessoas.</p>
<p>Testes preliminares utilizando ressonância magnética funcional já demonstraram que, após o uso do BehCreative, pessoas saudáveis passaram por uma alteração de conectividade em regiões associadas às emoções, influenciando a regulação emocional e aumentando a expressão criativa dos usuários. Esses dados estão para ser publicados no <em>Nordic Journal of Music Therapy</em> (NJMT), um dos maiores periódicos de musicoterapia do mundo. Entretanto, devido às limitações impostas pela pandemia de covid-19, os testes envolveram apenas cinco pessoas, o que dificulta a generalização dos resultados. Mais recentemente, o estudo foi refeito com 15 usuários saudáveis, mas esses dados ainda estão sob análise.</p>
<p>Neste momento, Partesotti e Castellano estão iniciando os experimentos com o BehCreative em pacientes de AVC e buscando novos candidatos para participarem da pesquisa. Em um total de dez dias de testes, na Unicamp, os usuários utilizarão o equipamento por um período máximo de 10 minutos, quando passarão por uma eletroencefalografia, para registrar quaisquer alterações no funcionamento do cérebro, e receberão atendimento de um fisioterapeuta. “A ideia é que a pessoa decida como se expressar nesse equipamento. A gente chama isso de empoderamento criativo, que significa oferecer instrumentos para que ela possa aplicar o que gosta de fazer em sua reabilitação, buscando uma melhora motora e cognitiva”, afirma a pesquisadora.</p>
<p>&nbsp;</p>
<a href="https://jornal.unicamp.br/edicao/718/o-corpo-como-instrumento/" class="su-button su-button-style-glass" style="color:#ffffff;background-color:#3f175f;border-color:#33134c;border-radius:7px" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="color:#ffffff;padding:7px 20px;font-size:16px;line-height:24px;border-color:#795d8f;border-radius:7px;text-shadow:none"><i class="sui sui-external-link-square" style="font-size:16px;color:#ffffff"></i> Leia a matéria no site do JU</span></a>
<p>&nbsp;</p>The post <a href="https://www.brainn.org.br/o-corpo-como-instrumento-terapia-musical-na-neuroplasticidade-do-cerebro-e-na-reabilitacao-de-pacientes-com-avc/">O corpo como instrumento: terapia musical na neuroplasticidade do cérebro e na reabilitação de pacientes com AVC</a> first appeared on <a href="https://www.brainn.org.br">CEPID BRAINN</a>.]]></content:encoded>
					
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		<title>Neuroplasticidade: o cérebro em alta performance</title>
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		<dc:creator><![CDATA[BRAINN]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 Apr 2016 17:28:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[BRAINN na Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Merzenich]]></category>
		<category><![CDATA[neuroplasticidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O professor Michael Merzenich, da University of California, San Francisco, participou do 3º BRAINN Congress e conversa com a Agência Fapesp sobre neuroplasticidade.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h5></h5>
<h5><b>Karina Toledo, de Campinas | Originalmente publicado na <a href="http://agencia.fapesp.br/cerebro_em_alta_performance/23099/">Agência FAPESP</a></b><a href="http://agencia.fapesp.br/cerebro_em_alta_performance/23099/"> </a></h5>
<p>Quando o assunto é neuroplasticidade, não há como deixar de mencionar os estudos pioneiros conduzidos por Michael Merzenich (<b><a href="http://profiles.ucsf.edu/michael.merzenich" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Michael Merzenich</a></b>), professor emérito da University of California, San Francisco (UCSF).</p>
<p>Desde os anos 1960, quando ainda predominava entre neurocientistas a ideia de que o cérebro seria um órgão estático, pré-moldado sob estrita ordenação genética, Merzenich defende que é possível, ao longo de toda a vida, criar novos circuitos e conexões neuronais em resposta a estímulos e experiências, o que resultaria em mudanças funcionais.</p>
<p>As teorias sobre a neuroplasticidade formuladas por Merzenich e outros neurocientistas contemporâneos abriram perspectivas revolucionárias – tanto para crianças com dificuldades de aprendizado como para pessoas com lesão cerebral decorrente de trauma ou de doenças como acidente vascular cerebral (AVC).</p>
<p>Nas décadas de 1970 e 1980, por meio de experimentos com animais, Merzenich demonstrou que os circuitos neuronais e as sinapses se modificam rapidamente de acordo com a atividade praticada. Em um dos ensaios, rearranjou os nervos na mão de um macaco e observou que as células do córtex sensorial do animal rapidamente se reorganizaram para criar um novo mapa mental daquele membro.</p>
<p>No fim dos anos 1980, Merzenich integrou o grupo da UCSF que desenvolveu o implante coclear. Em 1996, fundou a Scientific Learning Corporation, empresa que desenvolve <i>softwares</i> voltados a aprimorar o aprendizado infantil com base em modelos de plasticidade cerebral.</p>
<p>Também foi um dos fundadores, em 2004, e é atualmente cientista chefe na empresa Posit Science, que desenvolve <i>softwares</i> para treinamento cerebral com base nos resultados de suas pesquisas. O programa é conhecido como <b><a href="http://www.brainhq.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer"> BrainHQ</a></b>.</p>
<p>Nos últimos anos, Merzenich tem se dedicado a verificar se a prática de exercícios intelectuais pode ajudar a remodelar as funções cerebrais, possibilitando recuperar habilidades perdidas por causa de doenças, lesões ou envelhecimento.</p>
<p>Seus estudos já foram publicados em mais de 150 artigos científicos – muitos deles em revistas de grande impacto, como <i>Science</i> e <i>Nature</i>. Ele também recebeu diversos prêmios acadêmicos, como o <b><a href="https://www.ohio.edu/engineering/russ-prize" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Russ Prize</a></b>, o <b><a href="http://www.fondation-ipsen.org/en/colloques-prizes-publications/neurosciences" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Ipsen Prize</a></b> e o <b><a href="https://www.mpg.de/1156268/Zuelch_Prize" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Zülch Prize</a></b>.</p>
<p>Em 2013, Merzenich publicou o livro <i>Soft-Wired: How the New Science of Brain Plasticity Can Change Your Life</i>, no qual apresenta estratégias para que pessoas comuns possam assumir o controle dos processos de plasticidade cerebral e, assim, melhorar sua qualidade de vida.</p>
<p>Merzenich esteve no Brasil no início de abril para apresentar uma palestra no <b><a href="http://brainncongress.wix.com/2016" target="_blank" rel="noopener noreferrer">3rd BRAINN Congress</a></b>, organizado pelo Instituto de Pesquisa sobre Neurociências e Neurotecnologia (<b><a href="http://www.brainn.org.br" target="_blank" rel="noopener noreferrer">BRAINN</a></b>), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (<b><a href="http://www.cepid.fapesp.br" target="_blank" rel="noopener noreferrer">CEPID</a></b>) financiado pela FAPESP e sediado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).</p>
<p>Na ocasião, concedeu uma entrevista à <b>Agência FAPESP</b> na qual falou sobre como mudanças positivas e negativas podem ser direcionadas no cérebro. Leia os principais trechos a seguir.</p>
<p><i><b>Agência FAPESP</b> – Como o senhor define o conceito de neuroplasticidade? </i><br />
<b>Michael Merzenich</b> – O cérebro foi construído para mudar de acordo com as experiências vivenciadas e a forma como é usado. A esse processo contínuo chamamos de neuroplasticidade. Quando trabalhamos para aprimorar uma habilidade, ocorre uma mudança na “fiação cerebral” (<i>nas sinapses ou conexões neuronais</i>), ou seja, são selecionadas as conexões que dão suporte ao comportamento ou à habilidade que estamos desenvolvendo. Assim como quando exercito meu corpo obtenho uma série de benefícios e altero a regulação de uma série de processos bioquímicos, quando exercito meu cérebro altero todo o seu funcionamento, seu suprimento de sangue e de energia, bem como a força de suas operações. Portanto, não apenas melhoro uma habilidade em si, mas todo o maquinário cerebral. Quando jogo pingue-pongue pela primeira vez, sou muito desajeitado. Após um ano de prática intensa, fico muito habilidoso, consigo ver e acertar a bola com alta acurácia. Por meio de mudanças físicas e químicas incrivelmente complexas, criou-se um cérebro com esse recurso. Nosso cérebro será diferente daqui a uma semana e muito mais diferente ainda daqui a uma década. Pode ser uma mudança para frente ou para trás, ganhando ou perdendo habilidades. Depende do uso.</p>
<p><i><b>Agência FAPESP</b> – O treinamento de uma habilidade favorece mudanças positivas, mas como as mudanças negativas são direcionadas? </i><br />
<b>Merzenich</b> – Fazemos coisas ao longo da vida que degradam nossa habilidade de extrair informações úteis do mundo a nossa volta. Por exemplo: como um humano moderno, passo várias horas por dia olhando para uma tela na qual coisas importantes para mim acontecem. Tudo que está fora daquela tela é desimportante, inútil, uma distração. Estou sistematicamente treinando minha visão, estreitando meu ponto de vista, de modo que somente aquilo que está à frente de meu nariz é importante. Fazendo isso, vou perdendo progressivamente a habilidade de processar a informação visual daquilo que está ao redor. O cidadão médio em meu país, e isso foi bastante estudado por lá, já perdeu em torno de 30% do seu campo visual aos 60 anos e mais de 50% aos 80 anos. As coisas acontecem e ele não vê porque o cérebro rejeita aquele estímulo. Essa é uma das razões pelas quais os idosos sofrem mais acidentes de trânsito. Eles gradualmente vão regredindo a um campo visual mais estreito e, ao mesmo tempo, quando conseguem enxergar algo, respondem a esse estímulo de forma mais lenta.</p>
<p><i><b>Agência FAPESP</b> – Mas é possível treinar uma pessoa de modo a fazê-la perder uma habilidade já adquirida, como entender a fala em outro idioma? </i><br />
<b>Merzenich</b> – Sim. Posso treiná-la usando formas modificadas de som não articulado, que não correspondem à fala. Treino o cérebro a mudar sua capacidade de processamento de sons, de forma que esse perde a capacidade de interpretar os elementos que se modificam rapidamente no fluxo acústico formado pela estrutura fonêmica, a estrutura elementar das palavras. Essa interpretação é necessária para extrair o sentido das palavras. Assim como posso refinar essa habilidade, posso destruí-la. Posso desafiar você a fazer distinções cada vez mais acuradas do que ouve, detalhadamente, em alta velocidade. Posso treiná-la a fazer essa distinção mesmo quando a voz está baixa, ou o discurso está anormal e distorcido. Ou posso fazer o oposto e degradar essa sua habilidade. Dar-lhe um cérebro que opera somente quando as coisas ocorrem morosamente. Fazer com que não consiga mais interpretar os detalhes do som em determinadas frequências. Fizemos experimentos de treinamento não virtuoso com macacos e ratos e mostramos que isso é possível.</p>
<p><i><b>Agência FAPESP</b> – Como o envelhecimento influencia as mudanças no funcionamento cerebral? </i><br />
<b>Merzenich</b> – O cérebro opera de forma muito limitada quando somos crianças e, progressivamente, vai aperfeiçoando seu maquinário de modo a operar com cada vez mais precisão. Os diferentes sistemas vão se tornando mais coordenados em suas ações e isso vai melhorando até o auge da vida – que no humano médio ocorre entre o 20º e o 40º aniversário. Uma alta performance persiste um pouco mais nas mulheres, mas, quando entram na menopausa, ocorre uma rápida deterioração em decorrência das mudanças hormonais e elas alcançam o nível masculino por volta de 60 ou 65 anos. Portanto, temos esse período da vida, de cerca de duas décadas, em que nosso cérebro opera em alta performance e depois deteriora. Se aos 30 anos uma pessoa está operando abaixo da média da performance da população (<i>no auge de seu funcionamento cerebral, atingiu 100% de sua capacidade</i>), aos 60 anos ela pode estar só com 16% de sua capacidade e, aos 80 ou 85 anos, com 10%. Ora, ninguém quer estar aos 85 anos com apenas 10% da capacidade cerebral e o que demonstramos é que essa deterioração é reversível. De maneira simplificada, o cérebro do idoso é mais lento em suas decisões e menos fluente em suas operações do que na juventude porque lida com as informações de forma mais confusa e degradada. Vicissitudes ocorrem ao longo da vida, causam ruído no cérebro e podem acelerar o declínio. Pode ser uma queda de bicicleta e uma pancada na cabeça, uma infecção cerebral ou exposição a toxinas. Mas podemos treinar o cérebro velho e fazê-lo recuperar muitas de suas habilidades. Fizemos estudos com diversas populações e mostramos que é possível reverter esse declínio com treinamento.</p>
<p><i><b>Agência FAPESP</b> – Como funciona o treinamento que o senhor desenvolveu? </i><br />
<b>Merzenich</b> – O treinamento aplicado pela BrainHQ busca primeiramente exercitar os mecanismos cerebrais que controlam a neuroplasticidade. Esses mecanismos também são plásticos e podem ficar subutilizados com a idade ou em decorrência de doenças. Mostramos que é possível treinar uma pessoa por 15 ou 20 minutos e, assim, regular processos bioquímicos nesse maquinário. Como consequência, tudo que ela aprender ou fizer na hora seguinte será potencializado. Vai aprender mais rapidamente, como se eu tivesse lhe dado uma droga que aumenta o nível de atividade cerebral. Mas, ao contrário do que acontece com a droga, se eu aplicar o treinamento todos os dias, durante 15 dias, a mudança é duradoura. A performance do maquinário cerebral é aprimorada e, quando olhamos um ano depois, o cérebro ainda está mais alerta, mais vivo, mais predisposto a mudar. Em segundo lugar, o treinamento busca melhorar a maneira como o cérebro processa os detalhes daquilo que vemos, ouvimos e sentimos. À medida que o cérebro fica ruidoso, vai mudando a forma como ele processa informação. Vai perdendo a capacidade de interpretar de forma nítida os detalhes que se modificam rapidamente. O treinamento visa reverter essa mudança negativa, pois todas as demais operações cerebrais dependem disso. O limite da performance de qualquer operação mental complexa, como, por exemplo, a memória, será determinado pela claridade com que o cérebro representa a informação. Se estou tentando gravar uma informação, quanto mais fielmente ela for representada no cérebro, mais facilmente eu consigo lembrar. O cérebro é uma máquina de fazer previsões. Ele acumula informações ao longo do tempo e, continuamente, faz previsões do futuro e associações com o passado. Posso melhorar essa capacidade simplesmente aumentando a clareza das operações. Para isso, treinamos o cérebro a manipular informações. Para elevar o nível de suas operações, posso dar uma tarefa em que o cérebro precisa não apenas vir com uma resposta certa, mas com várias possibilidades de resposta em uma alta velocidade e de maneira fluente. Posso treinar o cérebro a rapidamente classificar informações, a rapidamente mudar as regras de suas operações quando as condições do meio exigirem isso. Todas essas coisas são válidas de serem praticadas. O que comumente fazemos é avaliar em cada indivíduo onde estão as falhas: no controle de atenção, na habilidade de gravar informação, na forma como ele representa informação em sequência ou como manipula e organiza cadeias complexas de informação. Todas essas coisas são passíveis de treinamento. O <i>software</i> que usamos lembra alguns jogos para celulares, pois propõe tarefas isoladas que devem ser cumpridas em 1 ou 2 minutos e oferece um certo número de tentativas. O nível de dificuldade vai rapidamente se ajustando na medida em que o indivíduo vence uma etapa, um nível mais difícil se abre e o desafia para aumentar essa habilidade a um nível maior.</p>
<p><i><b>Agência FAPESP</b> – O programa de treinamento pode ser usado para tratar doenças neuropsiquiátricas, como Alzheimer ou esquizofrenia?</i><br />
<b>Merzenich</b> – Temos diversos estudos que mostram que portadores de doenças como Alzheimer, esquizofrenia, transtorno bipolar, transtornos de ansiedade ou depressão podem ser beneficiados. Não estou falando de cura, mas de melhorar a qualidade de vida. Mas, pelas leis do meu país, não podemos lidar diretamente com condições médicas. O treinamento, nesse caso, precisa ser intermediado por um médico ou terapeuta. Também temos estudos que mostram benefícios para pessoas com lesão cerebral causada por AVC ou por trauma, pessoas expostas a veneno, infecções cerebrais e estresse. Sempre conseguimos obter uma melhora – em alguns casos bastante significativa e, em outros, mais limitada por causa da magnitude da lesão. Em um dos estudos, aplicamos o treinamento em uma população grande de voluntários que tinham sofrido uma concussão. Após dois meses, o cérebro havia voltado ao normal, enquanto o grupo que não passou pelo treinamento ainda apresentava alterações neurológicas um ano após a lesão. Também já testamos em pessoas sadias que desempenham funções em que a tomada de decisão pode envolver questões de vida e morte, como policiais e soldados. Estatísticas indicam que policiais, de maneira geral, fazem más escolhas em 50% dos casos e isso causa grande impacto em uma cidade. Nossos resultados mostram que com o treinamento é possível melhorar o processo de tomada de decisão. Em uma pesquisa feita em parceria com uma empresa de seguros, treinamos 20 mil motoristas profissionais ou informais, nesse segundo caso, idosos, e reduzimos pela metade o número de acidentes de trânsito. Já treinamos cerca de 600 mil pessoas ao todo.</p>
<p><i><b>Agência FAPESP</b> – Assim como acontece com os músculos, o cérebro perde os benefícios adquiridos quando o treinamento é interrompido?</i><br />
<b>Merzenich</b> – Fizemos quase 30 ensaios clínicos para avaliar a duração do efeito e vimos que há sempre alguma duração significativa, em alguns domínios bem mais do que em outros. Se você treina e muda a forma como o cérebro trabalha a atenção, isso é mais duradouro, pois é uma habilidade usada em muitas situações da vida real. Já quando você treina a habilidade de ouvir, a deterioração é mais rápida. Mas, certamente, se você atinge um nível de alta performance em alguma habilidade, algum tipo de treino de manutenção será necessário para manter o alto nível. Em algumas populações em que o funcionamento do cérebro está mais propenso a se deteriorar, como é o caso de pessoas com pré-Alzheimer (<i>prejuízo cognitivo leve</i>) ou com doença de Huntington, o declínio ocorre mais rapidamente quando o treino é interrompido e logo retornam ao nível que teriam se nunca tivessem treinado. Enquanto estiverem treinando, porém, conseguem se manter relativamente estáveis, mas não sabemos ao certo por quanto tempo. É um grande desafio porque temos que mantê-los engajados e o treino precisa ser intenso, pois todas as habilidades do cérebro estão em risco.</p>
<p><i><b>Agência FAPESP</b> – Como evitar que esse conhecimento seja usado de forma errada?</i><br />
<b>Merzenich</b> – O cérebro pode ser treinado a operar de forma destrutiva e há potenciais formas de abuso. Muitos teriam interesse em manipular a plasticidade cerebral para propósitos egoístas. Então é um desafio para nós pensar como isso pode ser controlado e como ter certeza de que esse conhecimento será usado para o bem-estar humano e não para a destruição. Por exemplo, é possível tirar de casa um garoto de 10 ou 12 anos, um bom estudante, e transformá-lo em um assassino, um monstro. O que ocorre nesse caso é a plasticidade cerebral direcionada para a destruição.</p>
<p><i><b>Agência FAPESP</b> – É possível fazer o caminho reverso nesse caso?</i><br />
<b>Merzenich</b> – É difícil e requer muito treinamento, mas é possível e esse é um dos meus esforços. Tratar crianças com longo histórico de abuso e negligência, condições que danificam o maquinário cerebral que controla o aprendizado. Essas crianças, ao mesmo tempo em que têm o maquinário cerebral de aprendizagem prejudicado, têm acesso a um repertório pobre, que não as prepara para a vida. Claro que acabam malsucedidas. A menos que façamos algo para ajudá-las do ponto de vista neurológico, não há esperança para elas. Mas o que a sociedade em geral faz? Culpa-as pelo seu mau desempenho. Culpamos massivamente as crianças com infâncias terríveis por suas experiências. Isso é estúpido.</p>The post <a href="https://www.brainn.org.br/neuroplasticidade-o-cerebro-em-alta-performance/">Neuroplasticidade: o cérebro em alta performance</a> first appeared on <a href="https://www.brainn.org.br">CEPID BRAINN</a>.]]></content:encoded>
					
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		<title>Realidade Virtual e Aumentada no tratamento de sequelas de AVC</title>
		<link>https://www.brainn.org.br/realidade-virtual-e-aumentada-no-tratamento-de-sequelas-de-avc/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[BRAINN]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Apr 2016 13:20:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Blog]]></category>
		<category><![CDATA[AVC]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriela Castellano]]></category>
		<category><![CDATA[neuroplasticidade]]></category>
		<category><![CDATA[Realidade Aumentada]]></category>
		<category><![CDATA[Realidade Virtual]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pesquisadores querem entender como o cérebro reage à utilização de Realidade Virtual e Aumentada como estímulos terapêuticos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Pesquisadores querem entender como o cérebro reage à utilização de Realidade Virtual e Aumentada como estímulos terapêuticos.</em><br />
<span id="more-8570"></span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: 11px; color: #808080;">28 de Abril de 2016</span></p>
<h5><em>por Erik Nardini Medina *</em></h5>
<p>&nbsp;</p>
<p>Imagine: um paciente com um braço paralisado em consequência de um <strong>Derrame (AVC)</strong> tem sua imagem capturada por uma <strong>câmera</strong> e transmitida a um computador. Um software então analisa o corpo do paciente e “substitui” o membro sem movimento por um braço saudável, criado virtualmente pela chamada <strong>realidade aumentada</strong>. Demais, não?</p>
<p>Pode parecer ficção científica, mas pesquisas como está já estão acontecendo. Inclusive no Brasil. O <strong>BRAINN</strong> – Instituto Brasileiro de Neurociência e Neurotecnologia – é um dos centros de referência nessa área. Pesquisadores do instituto estudam o uso de tecnologia de ponta para auxiliar na recuperação de quem sofreu um AVC.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div style="background: #f4f4f4; padding: 15px;">
<h3 style="text-align: center;"><span style="color: #333333;"><strong>OS NÚMEROS DO AVC NO BRASIL</strong></span></h3>
<p style="text-align: center;">O <strong>Acidente Vascular Cerebral (AVC)</strong>, também conhecido como <strong>Derrame</strong>, é a doença que mais mata no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, o número de mortes por AVC <strong>chega a quase 100 mil pessoas todos os anos!</strong></p>
<p style="text-align: center;">Em 2000 foram 84.713 óbitos, atingindo um pico de 99.726 em 2010. Quando a vítima não chega ao óbito, não raramente termina com sequelas graves e limitadoras – comprometendo movimentos de alguns membros ou de todo o corpo.</p>
<div class="su-button-center"><a href="http://www.abcerebro.tv/?wpnukes_videos=avc-dr-li-li-min-responde-voce-sabe-reconhecer-um-acidente-vascular-cerebral" class="su-button su-button-style-soft" style="color:#ffffff;background-color:#FF9900;border-color:#cc7b00;border-radius:6px" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><span style="color:#ffffff;padding:6px 18px;font-size:14px;line-height:21px;border-color:#ffb84d;border-radius:6px;text-shadow:none"><i class="sui sui-hand-o-right" style="font-size:14px;color:#ffffff"></i> Saiba como reconhecer um AVC</span></a></div>
</div>
<p>&nbsp;</p>
<h3><strong>COMO TRATAR O AVC?</strong></h3>
<p>Apesar dos números assustadores, há motivos para se animar. Os tratamentos para quem já sofreu AVC têm evoluído bastante nos últimos anos!</p>
<p>Para além do campo das <strong>medicações</strong> – cuja administração normalmente se dá apenas no período em que o paciente se encontra hospitalizado – as <strong>sessões de fisioterapia</strong> são prescritas por tempo indeterminado. E é aí que pacientes e fisioterapeutas encontram o apoio das <strong>tecnologias associadas à Realidade Virtual (RV) e à Realidade Aumentada (RA)!</strong></p>
<p><strong> </strong><strong> </strong></p>
<h3><strong>PESQUISAS FEITAS NO BRAINN</strong></h3>
<p>Estudos pioneiros dessas duas aplicações têm sido conduzidos BRAINN sob supervisão de <span style="text-decoration: underline;"><strong><a href="http://www.brainn.org.br/gabriela-castellano/">Gabriela Castellano</a></strong></span>, professora associada do Instituto de Física “Gleb Wataghin” da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora de difusão do Instituto.</p>
<p>Os projetos, ainda em fase inicial, adotam estratégias que visam estimular a coordenação dos pacientes, transformando <strong>os exercícios em atividades mais divertidas.</strong></p>
<blockquote><p><strong>ANTES DE JUNHO:</strong> uma série de testes com RA e RV começará a ser aplicada em pacientes do <a href="http://www.redelucymontoro.org.br/">Serviço de Reabilitação Lucy Montoro</a>, centro de referência situado em Mogi Mirim, no interior de São Paulo.</p></blockquote>
<p>A unidade, que é ligada ao Instituto de Responsabilidade Social do Hospital Sírio-Libanês, atende desde os casos mais simples, de mobilidade reduzida, até casos de alta complexidade, como lesão medular e amputação.</p>
<p><strong> </strong></p>
<h3><strong>ENTENDA DE UMA VEZ: DIFERENÇAS ENTRE REALIDADE VIRTUAL E AUMENTADA</strong><strong> </strong></h3>
<div id="attachment_8574" style="width: 760px" class="wp-caption aligncenter"><img aria-describedby="caption-attachment-8574" loading="lazy" class="size-full wp-image-8574" src="http://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2016/04/o-advento-da-realidade-virtual.jpg" alt="o advento da realidade virtual" width="750" height="470" srcset="https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2016/04/o-advento-da-realidade-virtual.jpg 750w, https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2016/04/o-advento-da-realidade-virtual-300x188.jpg 300w, https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2016/04/o-advento-da-realidade-virtual-319x200.jpg 319w, https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2016/04/o-advento-da-realidade-virtual-82x51.jpg 82w, https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2016/04/o-advento-da-realidade-virtual-100x63.jpg 100w, https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2016/04/o-advento-da-realidade-virtual-156x98.jpg 156w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><p id="caption-attachment-8574" class="wp-caption-text">Vivemos o advento da Realidade Virtual. Além dos aspectos lúdicos, ela será importantíssima para diversos tratamentos médicos.</p></div>
<p>Nos estudos conduzidos pelo BRAINN, duas tecnologias assistivas têm destaque: a realidade virtual e a realidade aumentada. Você conhece a diferença entre elas?</p>
<p><strong><span style="color: #ff6600;">Realidade Virtual</span>: </strong>é aquela em que o sujeito se insere numa interface em três dimensões (3D) e participa de determinado cenário, ou seja, seus movimentos são reproduzidos dentro de um ambiente fictício.</p>
<p>As atividades desenvolvidas em RV são feitas com auxílio do sensor de movimentos <strong>Kinect</strong> – o mesmo utilizado nos videogames Xbox. “Nesse caso, a pessoa manipula objetos no vídeo por meio de gestos. Às vezes, o paciente comanda um avatar dele mesmo na tela, que reproduz no espaço virtual seus movimentos no espaço real”, explica Gabriela Castellano.</p>
<p><strong><span style="color: #ff6600;">Realidade Aumentada</span>: </strong>os elementos 3D podem ser “inseridos no mundo real”. Para ilustrar, podemos analisar as instituições financeiras. Bancos se utilizam da RA, por exemplo, para a busca de agências na cidade. Ao apontar a câmera do celular para determinada posição, o aplicativo insere na tela elementos visuais dentro da imagem real captada pela câmera do celular. É o fictício que se apresenta no plano concreto.</p>
<p>“O foco, no âmbito da RA, concentra-se em pacientes com limitação de movimentos nos braços”, explica Castellano. “Uma câmera captura a imagem do paciente e transmite para um computador. O software então analisa o corpo do paciente e ‘substitui’ o membro sem movimento por um braço na forma de realidade aumentada”, continua.<strong> </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<h3><strong>NEUROPLASTICIDADE</strong></h3>
<div id="attachment_8575" style="width: 510px" class="wp-caption alignright"><img aria-describedby="caption-attachment-8575" loading="lazy" class="wp-image-8575 size-full" src="http://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2016/04/realidade-virtual-no-tratamento-de-problemas-de-saúde.jpg" alt="realidade virtual no tratamento de problemas de saúde" width="500" height="281" srcset="https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2016/04/realidade-virtual-no-tratamento-de-problemas-de-saúde.jpg 500w, https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2016/04/realidade-virtual-no-tratamento-de-problemas-de-saúde-300x169.jpg 300w, https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2016/04/realidade-virtual-no-tratamento-de-problemas-de-saúde-356x200.jpg 356w, https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2016/04/realidade-virtual-no-tratamento-de-problemas-de-saúde-82x46.jpg 82w, https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2016/04/realidade-virtual-no-tratamento-de-problemas-de-saúde-100x56.jpg 100w, https://www.brainn.org.br/wp-content/uploads/2016/04/realidade-virtual-no-tratamento-de-problemas-de-saúde-156x88.jpg 156w" sizes="(max-width: 500px) 100vw, 500px" /><p id="caption-attachment-8575" class="wp-caption-text">A RV já é utilizada há alguns anos para ajudar na recuperação de soldados feridos em combate, por exemplo.</p></div>
<p>Os projetos querem avaliar os possíveis efeitos de <strong>neuroplasticidade</strong>, que é a capacidade do sistema nervoso se adaptar, a nível estrutural e funcional, quando submetido a novas experiências. “Queremos entender a evolução do sistema nervoso em decorrência da utilização destes aplicativos na reabilitação motora”, conta Castellano.</p>
<p>“Com o avanço das pesquisas poderemos comparar os resultados de uma reabilitação suportada por RA e RV com os resultados obtidos na reabilitação ‘convencional’”, conclui.</p>
<p>Com a ajuda da Ciência e da alta tecnologia, as equipes de saúde já são capazes de tratar as sequelas dos AVCs com maior cuidado e eficiência. Essa parceria trará frutos ainda mais incríveis nos próximos anos, quando técnicas como a Realidade Virtual e a Realidade Aumentada forem aperfeiçoadas e entrarem de vez na rotina médica. Com isso, as sequelas do derrame poderão deixar de debilitar milhares de pessoas todos os anos, no Brasil e no mundo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="su-divider su-divider-style-double" style="margin:15px 0;border-width:3px;border-color:#d2d2d2"></div>
<p><em>* Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), aluno da especialização em Jornalismo Científico do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor/Unicamp). É bolsista MídiaCiência/FAPESP.</em></p>
<p>&nbsp;</p>The post <a href="https://www.brainn.org.br/realidade-virtual-e-aumentada-no-tratamento-de-sequelas-de-avc/">Realidade Virtual e Aumentada no tratamento de sequelas de AVC</a> first appeared on <a href="https://www.brainn.org.br">CEPID BRAINN</a>.]]></content:encoded>
					
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