Histórias de Sucesso do BRAINN – Software inovador permite diagnóstico mais preciso do cérebro humano


28 de Agosto de 2015     Por Redação WebContent

 

O médico recebe os resultados dos exames de ressonância magnética que havia pedido para um paciente de epilepsia. Ele abre o conjunto de dezenas de imagens em seu computador e olha uma por uma, tentando achar uma lesão ou alguma anormalidade. Em um dos cortes axiais, ele nota uma diferença sutil, quase imperceptível. Será que aquele pequeno ponto um pouco mais escuro é responsável pelas crises epilépticas? Impossível ter certeza. Fazer um diagnóstico como esse é tarefa difícil mesmo para médicos especializados. Um erro, além de não ajudar o paciente, pode submetê-lo a uma cirurgia extremamente invasiva, arriscada e desnecessária.

É com o intuito de ajudar profissionais de medicina e pacientes de doenças neurológicas que a pesquisadora da Faculdade de Engenharia Elétrica e Computação (FEEC) da Unicamp Wu ShinTing, integrante do BRAINN, cria programas de computador que permitem visualizações inovadoras de exames de ressonância magnética e PET (tomografia por emissão de pósitrons). Com a ferramenta computacional desenvolvida por ela e seu grupo, os médicos têm acesso a uma quantidade muito maior de informações para que possam tomar decisões mais precisas e embasadas.

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A pesquisadora Wu ShinTing, no estande do BRAINN durante o congresso SBPC 2015: pesquisas de ponta e educação sobre o cérebro humano.

INTERAÇÃO PARA SUPERAR DESAFIOS

A parceria entre Ting e a área médica começou antes da criação do BRAINN. Cerca de dez anos atrás, Ting apresentou seus trabalhos ao pesquisador Fernando Cendes, hoje responsável pelo CEPID BRAINN. Cendes vislumbrou a possibilidade de visualizar imagens tridimensionais do cérebro de maneira diferente – em vez das tradicionais camadas retas, ele gostaria de investigá-las em camadas curvilíneas. Interessada no desafio, Ting começou os trabalhos para a implementação de um novo algoritmo.

Depois de muitas pesquisas, estudos e aprimoramentos, uma primeira versão da ferramenta computacional ficou pronta em 2010. O programa tinha a capacidade de organizar todos os dados e imagens provenientes de um exame de ressonância magnética e fornecer ao usuário diversas visualizações do cérebro, retas ou curvilíneas, tanto em 2D como em 3D.

“Percebemos que, dependendo do ângulo de visualização, certas estruturas ficavam mais evidentes”, diz Ting. “Então, para facilitar o diagnóstico médico, nosso aplicativo oferecia cortes multiplanares e curvilíneos. Apesar de já existirem outras ferramentas comerciais similares, a nossa forma de interação é diferente”.

“Nós apostamos na interatividade – o pesquisador pode mover a superfície de corte como quiser, tanto verticalmente e horizontalmente como diagonalmente, e observar as estruturas do cérebro do ângulo que considera o melhor a fim de certificar suas suspeitas”.

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O programa de computador em ação, combinando imagens de ressonância magnética e PET-SCAN. Clique na imagem para assistir a um vídeo sobre seu funcionamento.

NO BRAINN, A INOVAÇÃO NUNCA TERMINA

Quatro anos depois, uma nova versão do programa, ainda mais inovadora, foi desenvolvida pelo grupo de Ting. Agora, a ferramenta inclui também a visualização de imagens de exames PET de forma alinhada aos exames de ressonância. Desse modo, o pesquisador pode mesclar as imagens anatômicas obtidas pela ressonância magnética com as imagens metabólicas obtidas pelo PET.

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Análises cerebrais mais precisas aprimoram diagnóstico e têm potencial para aumentar a qualidade de vida de quem convive com doenças neurológicas.

“Além de integrar o PET com a ressonância magnética, nossa segunda versão oferece mais ângulos e maior área de visualização, propiciando uma análise comparativa entre os dois hemisférios cerebrais”, afirma Ting. “Nós também o tornamos disponível para usuários de Windows, Linux e Mac”.

O programa, até o momento, foi utilizado principalmente em pacientes de epilepsia. Entretanto, ele tem potencial para ajudar na detecção de tumores cerebrais e outras doenças neurológicas. Ting conta que o próximo passo é integrar novas modalidades de exames na ferramenta, para fornecer maiores quantidades de informação e tornar o diagnóstico médico o mais preciso possível.

“As demandas médicas por ferramentas computacionais que corroboram suas conjeturas constituem nosso problema de pesquisa. Sempre atentos às novas propostas de investigação das áreas suspeitas, gostaríamos de agregar exames como o SPECT (tomografia computadorizada por emissão de fóton único), DWI (ressonância magnética de difusão) e até mesmo EEG (eletroencefalograma)”, diz Ting. “Alguns desses projetos já foram iniciados e estão em andamento, mas ainda não temos uma previsão de quando uma nova versão do programa ficará pronta.”

Quem quiser saber mais sobre a história do projeto, e ver mais imagens e vídeos que mostram o funcionamento do software, pode acessar o seguinte site :

Projeto MTK

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