Bióloga investiga a relação entre inflamação e Alzheimer


Jornal da UNICAMP detalha trabalhos de aluna orientada pelo dr. Marcio Balthazar, pesquisador do CEPID BRAINN.

04 de outubro de 2017     Divulgação de Jornal da UNICAMP

 

Uma crescente evidência sugere que a patologia da doença de Alzheimer (DA) está associada com mecanismos imunológicos. Além disso, segundo estudos, o risco da conversão de pessoas com comprometimento cognitivo leve (CCL) para DA pode estar aumentando em pacientes com elevadas concentrações de citocinas (marcadores inflamatórios) no sangue. Esses pressupostos determinaram o trabalho de mestrado da bióloga Thamires N. C. Magalhães intitulado “Inflamação sistêmica e os principais biomarcadores da DA”, desenvolvida junto ao Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento, do Laboratório de Neuroimagem do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp. A pesquisa foi orientada pelo professor Marcio Luiz Figueredo Balthazar, que se dedica a estudos sobre a doença de Alzheimer.

É de extrema importância encontrar marcadores que possam aprimorar o diagnóstico ou predizer a identificação de indivíduos normais com risco de desenvolver demência e até mesmo para a identificação dos CCLs com alto risco de conversão. Diante disso, o principal objetivo da pesquisadora foi verificar a hipótese de que os níveis de citocinas no sangue podem estar associados com os principais biomarcadores de DA que são evidências de atrofia no hipocampo (uma das regiões responsáveis pela memória); de lesão e degeneração neuronal; e de diminuição da funcionalidade do cérebro. A pesquisadora esclarece que ainda não se sabe se os níveis de inflamação são indicativos da doença e quais suas correlações com ela.

Thamires explica que existem biomarcadores presentes no líquor (líquido cefalorraquidiano) relacionados à doença que são mais abordados e usados em pesquisa. Esses biomarcadores (proteínas liquóricas Beta-amiloide e Tau) estão relacionadas com as lesões e degenerações neuronais, que acarretam um processo inflamatório. Existem vias de comunicação entre o cérebro e o sistema imune periférico que podem estar alterados desde a fase pré-clínica da doença. Assim, a inflamação sistêmica, através de mediadores inflamatórios, como as citocinas, pode ter um importante papel na produção e regulação dessas proteínas, favorecendo ou não a progressão da doença. Disso infere-se que a inflamação pode constituir um campo muito promissor de estudo do problema.

 

O estudo

Para o estudo, um grupo constituído de 25 pacientes saudáveis utilizados como controles, 45 pacientes com comprometimento de memória e 28 pacientes com DA em uma fase leve foram submetidos a vários testes neuropsicológicos, quantificação de citocinas no sangue e exame de ressonância magnética.

Sobre os resultados, a autora afirma: “Encontramos uma possível associação com a inflamação sistêmica e a diminuição da conectividade das redes neurais. Quando detectamos a presença de determinadas citocinas, observamos uma menor conectividade. Mas os resultados ainda não são conclusivos e demandam muita pesquisa. Essa inflamação sistêmica também mostrou possíveis associações com os outros biomarcadores da doença, como as proteínas presentes no líquor e com a diminuição do volume do hipocampo”.

Os resultados obtidos sinalizam para uma possível associação entre o perfil de inflamação sistêmica e os principais biomarcadores da doença, tornando-se um importante passo para melhor compreensão da doença, mas ainda não se pode dizer se a inflamação sistêmica é causa ou consequência da progressão da doença, explica Thamires.

 

A doença de Alzheimer

A doença de Alzheimer (DA) constitui um grave problema de saúde pública que tende a se intensificar com o envelhecimento da população. Atualmente estima-se no mundo mais de 45 milhões de pessoas sofrendo desse mal. Este número deve praticamente dobrar a cada 20 anos, chegando a 74,7 milhões em 2030 e a 131,5 milhões em 2050, segundo dados fornecidos pelo relatório de 2015 da Associação Internacional de Alzheimer. No Brasil, a Associação Brasileira de Alzheimer avalia que a doença alcance cerca de 1,2 milhões de pessoas com mais de 65 anos. Ressalta, portanto, a importância de prevenir, diagnosticar o quanto antes a doença, a fim de que se possa buscar também uma melhor qualidade de vida da população atingida.

 

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